quarta-feira, 28 de julho de 2010

Devaneios, espasmos...



Feito o louco napoleônico. Assim reclamo meus

dias de glória pelos caminhos recorridos. Sou tão

adimirador desse ser místico que varou América

que creio ser ele. Ontem despertei pela madrugada

e me achei deitado em um chão de terra gelado,

braços adormecidos em pleno estado de hipotermia.

O cansasso era tremendo, recuperada a circulação

voltei a dormir, outra vez desperto, o corpo todo

tremia. Eu congelava em pleno frio atacâmico,

exatamente Culpina K, Bolívia. Duma fábrica de tijolos

saltei o muro e dormi detrás dos muros, evitando o

gélido vento. Ali terminei a noite, escondido do vento,

mas duramente surrado pelo frio onipresente.

Sonhei. Sonhei! Sonhei?

Sou atormentado por lembranças que me fizeram

feliz. A dor não era um castigo e sim uma recompensa.

Pelas noites sonho sonhos. Pela estrada vivia cada sonho.

Desculpe familia (apesar da quase perfeição de vocês) eu

amo o trecho, o caminho, a rota, a estrada, a via, a senda,

seja qual seja o seu nome, mesmo que ela não chegue a lugar

algum eu o preferio. Cada um gosta de alguma coisa.

Tem gente que até bebe e usa droga. Será meu vicio pior?

Em vez de chapelete de pastel uma mochila velha e um

jeans encardido cheirando poeria.

Marlon de Almeida.
29/07/2010
2:05 am

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eu já falei dos argentinos???


Nessa mochila eu levo gente, nessa mochila eu levo
um tesouro quase incomparável: AMIZADES.
Lá quando eu saia de Copacabana na Bolívia, às margens
do salgadinho Titicaca Lake, vi uma perua Kombi com placa argentina passar
devagar, voltei a ver o mesmo veículo pouco tempo depois já no lado peruano da
fronteira. Dentro da imigração um povo estranho recebia a advertência
de que possivelmente não receberiam a permissão para entrar no país.
O mesmo homem me atendeu, olhou meu passaporte, chamou-me ao canto(lá vem propina),com os olhos brilhantes e um sorriso no rosto me perguntou se eu tinha dinheiro,eu sem jeito fui quase sincero, "o suficiente para comer", ele me olhou torto e retrucou "no hermano, que sea una monedita de Brasil para mi colección, amo Brasil". Por 10 centavos de real o homem nem perguntou o que havia na minha mochila, carimbou cheio de orgulho o passaporte desse humilde brazuca.
Poucos kilômetros depois a Kombi me ultrapassava e abria as portas e os tipos estranhos de lá de dentro perguntavam se eu queria um "autostop".
Pois ali começava uma rápida, porém intensa amizade.
O sucesso de uma amizade é o interesse em ajudar ao próximo e não o de ser exclusivamente ajudado. Juan, Facu, La Niña e Juana, a perra não são personagens, apenas hippies. Cheiravam a Jack Kerouac tanto quanto eu.
Pois é, o sucesso da nossa parceria talvez apareça em alguma página por aí.
No mais, em possível email (que encontrei na internet) de um desses companheiros, enviei uma mensagem, qual foi minha surpresa? O email a seguir.

Meu email a Juan Ronco:

Juan, ¿Cómo estás?

Hace tiempo que intento encontrar tu correo, pero solamente ahora después de mucho
buscar en internet lo encontré en un artículo tuyo en un sitio de Makalu.
Te escribo sin saber si tengo la suerte de recibir respuesta, pues nada se de ti y de los demás compañeros.
Yo no podia les escribir antes, pues cuando estuve en Ecuador me robaron todo, solo me quedé con el pellejo del cuerpo, asi que, los correos de ustedes se me pierderon todos. Pero aqui estamos, otra vez en Brasil, en la puta vida de gente loca por el sueldo mensual, trabajando como un carajo para supervivir.
Hermano, por todo lo que pasé, aventuras, robos, frio, amistades, cultura, experiencias y mucho más, valió la pena cada segundo. Conoci todo lo que me fue posible, hasta lo imposible hermano.
Pasé por todos los paises de sudamérica, islas del Caribe y Republica Dominicana. Me hace falta esta vida de viajero, de hombre anonimo, caminante de la vida, sin miedo del porvenir, la vida es mejor cuando no nos acordamos de cuidar de ella, no?¿
Bien, en este pueblo de los infiernos en que vivo y trabajo no hay nada que hacer. Soy un profesor sin muchas ilusiones con alumnos hijos de puta que no quieren aprender un coño. De nada les sirve mis vivencias, no quieren nada con sus desgraciadas vidas, pero tampoco viajar y descobrir el mundo.
Juanito, por favor, si encuentras este correo contéstalo ni que sea con un"si", pero si puedes dime por dónde andan, que les ha pasado de bueno o malo. Hay buenos recuerdos de ustedes que se no me olvidaran jamás.
Te envio algunas fotos nuestras y de mi sitio provisorio de internet.
Saludos, abrazos a todos.
Marlon de Almeida.
www.omundodemarlon.blogger.com.br


Resposta imediata de Juan ao meu email:

Que haces Marlon!!!!
Que bueno que conseguiste el mail, que casualidad.
Te cuento que nosotros finalmente llegamos a Venezuela como nos lo habiamos propuesto. Asique festejamos ya unos meses.
La semana pasada volvimos a Argentina a visitar, con Facu y Juana, la perra. La combi la dejamos en Caracas para la vuelta. Para tener la "obligacion " de seguir viajando.
Por suerte nos fue realemente bien, conocimos amigos y lugares muy buenos a lo largo de nuestro viaje. Ahora toca estar en la babilonia por unos meses. Pero lo tomamos re tranqui!!!!!
Desde acá te mando un abrazo
salute
Juan

-Pues este cara é mais um mito "del camino", numa expedição arriscada esteve com
outros dois aventureiros na Penísula Mitre, Argentina. Busquem pelo livro "Huellas de Fuego" de Gargiulo Federico Ezequiel, é o cara da capa, com o copo na mão.Por hoje, nada mais a dizer, fuiiiii

terça-feira, 11 de maio de 2010



Camarada...
vc, muito mais que muita gente me entende...
se alguma coisa acontecer algum dia e te tocar dar uma mensagem, diga somente que me esforcei pra permanecer aqui, mas o mundo me reclamou pra si, assim como nesse momento me atormenta aqui.
Feliz por ti tb, nunca quero invejar vc, quero que você siga sendo o Jou que enganou a vida e deu um rumo extraordinario na própria existencia, é nisso que me espelho de ti Cumpadre.
Cara se há algo que eu gosto nessa vida é como ela nos oprime, mas não é nem um pouco cruel, ela nos oferece um rio de felicidade se o desejo da mudança falar mais alto, nunca falta alternativas, falta o desejo real e supremo do homem de dedilhar seus novos rumos.
Eu ei de ver o céu por muitos céus, ei de ver a aurora sintilante por horizontes incandecentes, perder-me-ei por rotas tão remotas e me acharei bem no fim de um arco ires, JOU meu velho, só Deus pode mudar uma sina, a minha é comer a poeira do tempo e envelhecer sem acreditar que morrerei. Sabe, nem sempre no nosso DNA domina a Terris infantis, as vezes o por aí é nossa mais bonita casa.
Sorte velhooooo....

Marlon de Almeida
11/05/2010
à Jou Castilho.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Desireless- Voyage Voyage


http://www.youtube.com/watch?v=e8axG2dyA9I
Desireless- Voyage Voyage. by Marlon

Au dessus des vieux volcans,
Glisse des ailes sous les tapis du vent,
Voyage, voyage,
Eternellement.
De nuages en marécages,
De vent d'Espagne en pluie d'équateur,
Voyage, voyage,
Vole dans les hauteurs
Au dessus des capitales,
Des idées fatales,
Regarde l'océan...

Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Et jamais ne revient.

Sur le Gange ou l'Amazone,
Chez les blacks, chez les sikhs, chez les jaunes,
Voyage, voyage
Dans tout le royaume.
Sur les dunes du Sahara,
Des iles Fidji au Fujiyama,
Voyage, voyage,
Ne t'arrêtes pas.
Au dessus des barbelés,
Des coeurs bombardés,
Regarde l'océan.

Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Et jamais ne revient.

Au dessus des capitales,
Des idées fatales,
Regarde l'océan.

Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien, (voyage voyage)
Voyage (voyage)
Et jamais ne revient.



Desireless- Viaje Viaje

Acima dos velhos vulcões
deslizando tuas asas sob o tapete do vento
viaje, viaje, eternamente
das nuvens aos pântanos
do vento da Espanha à chuva do Equador
viaje, viaje, voe até as alturas
acima das capitais, das idéias fatais
olhe o oceano


viaje, viaje, mais longe que a noite e o dia
viaje, viaje, no espaço inaudito do amor
viaje, viaje, sobre a água sagrada de um rio indiano
viaje, viaje e jamais retorne

Sobre o Ganges ou o Amazonas
entre os negros, entre os chiques, entre os amarelos
viaje, viaje em todo o reino
Sobre as dunas do Saara
das ilhas Fidji ao Fujiama
viaje, viaje, não pare
acima das cercas, dos corações bombardeados
olhe o oceano


Acima das capitais, das idéias fatais
olha o oceano

sexta-feira, 19 de março de 2010

A mula sem mochila.


Será que um homem comum sabe a "significância" de uma mochila?
Talvez sim: -Nada mais que carregar coisas!
Talvez não: -Metáfora incondicional da alma.
Eu não viveria sem saber que em algum lugar da minha vida há uma
mochila. Eu até me importo com o que hei de vestir, mas se aqui
ou acolá não estou observando a minha mochila.-Pai meu!- Eu me desespero
completamente.
A mochila irmão, não é esse objeto tosco que você vê nas minhas costas, não
é a ferramente, nem o saco de quardar coisinhas. Mais que qualquer tudo, a mochila
se escorrega pelo âmago e ressuscita a arte de viver.
Quem desafia a vida, certamente um dia já possuiu mochila.
Um homem pode ser fantasma de si próprio se em vias de escape não
nasceu pra levar mochila.
A o mito da Mula sem cabeça, folclore divino do meu país de origem, mas eis
que surge entre poucas luzes, em meio uma neblina quente a Mula sem mochila:
-Oh Deus! Ficou louco.-diz mamãe.
Aí um novo folclore que nasce da lenda dos viajantes. Quase nunca se vê por Patagónia austral,ou África meridional, ou por detrás de montes nevados da Sibéria. A Mula sem mochila.
Imponente bicéfalo, dotado de força.
Perdida...
De repente são muitas.
De cá pra lá. Em labores diários. Com medo da pobreza. Vaidosa.
De repente presa por "futilesas". Atordoada com medo da morte.
-Oh maldito animal!- Assustei a mamãe.
Enquanto cada um não possuir uma mochila iremos de pior a pior.
Eu tenho sempre um mochila a olho.
Levo comigo a qualquer lugar. Nada melhor que sentir "O peso dessa Mochila".
Marlon de Almeida.

terça-feira, 16 de março de 2010

Ainda que eu não volte.


Foi fonte profunda da minhas reflexões
o ir ou ficar.
Sim, caros possíveis leitores, o cara
que lhes fala, viveu tão intensamente os
últimos anos que necessitaria outra vida
pra vivê-los de igual modo outra vez.
Claro que não!...Não mergulhei em extravaganças,
em uma vida desregrada (quase), tão somente
caminhei pelo mundo como o Lorman caminha
em pleno dia.
Agora, aqui, no meu leito de morte, repudio
o dia da minha volta. Talvez um corpo
decomposto pelas beiras do caminho teria mais
valor e despertaria muito mais interesse que
esse Forrest Gump sem sentido.
Oras!!! Deveras mereço tal?
Oxalá! No meu despertar repentino eu veja um
amanhecer desde o cume de um monte, como outrora
foi, e deseje deitar nesse sol e cantarolar a ode
do viajar eterno...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Amizades do nada!!!



Amigos são ervas boas que nascem pelo campo dá vida, dão saúde e um bom estado de espírito.
Eu pelo mundo fiz vários, farei vários e alguns que não cheguei a tocar ainda hoje me chamam de amigo e eu os tenho como parte importante de mim, afinal meu coração é a casa deles.
Segue o trecho da mensagem que Joel Castillo (o Jou) me enviou quando pensou que eu estivesse ido de Espanha sem despedir-me dele:

Porra velho, vc nao sabe o quão triste fiquei de saber que vc vazou mesmo, e não nos vimos ao final. Por não ter internet em casa, não pude te avisar antes o que havia passado... no sábado a noite, saindo do trampo, no metro de PioXII a poli me pegou... me levaram a Diego de León onde fiquei preso até as 19hrs do domingo... literalmente, PASSEI O DIA na cadeia... esperando a boa vontade de uma advogada do estado. E qdo fui sair, recolher todos os meus pertences... aliança, carteira, corrente, tenis, etc e talz, DO NADA, desapareceu meu celular... DO NADA. Aí foi mais uma hora dentro da comissaria, esperando a ver se aparecia o então desaparecido celular. Nao apareceu, se comprometeram se em 48 horas não aparecesse me dariam outro... e no dia seguinte, segunda feira no final da tarde, ligaram pra minha namorada avisando que tinham encontrado. As 8 da noite, lá estava o ilegalzão reclamando o seu celular na comisaria... sem bateria, tive que ir pra casa carregar pra poder fazer alguma coisa...
qdo cheguei em casa, liguei pro teu cel... já estava indisponível, apagado, ou fora de cobertura. espero que pelo menos tenha recebido minha mensagem... sinto muito Marlon, sinto mesmo... a España perde um cara como vc, um dos meus ídolos a ser seguido aqui nessa España. Queria mto ter podido falar com vc de perto, tranquilamente, pra vc me contar dessas suas loucuras e viagens totalmente ilegalzão... vc é um cara que me dá inveja san... mil desculpas por tudo..., foda velho, coração cortado de nao poder ter te visto uma ultima vez, pra vc contar tudo das suas coisas que sempre me fizeram ilusão. Espero que no Brasa vc mate beeeeeem as saudades. ESPERO e DESEJO mto, que vc tenha sucesso em tuuudoo que vc for fizer na sua vida. O brazuca mais normal que conheci aqui... mais cabeça, mais apresentável, mais inteligente, mais sonhador... enfim, de vc marlon, só boas lembranças por ser um cara do coração sem tamanhos nem fronteiras !!!MUITO OBRIGADO por cada sandwich, que vc sempre se lembrava.
JOU
28/02/2009

Cara, Você sabe por que o espelho existe??? É pra refletir aquilo que queremos ver ou, no mínimo, como não queremos estar. Você e eu, o tal espelho velho. Eu vi em vc o cara que do pontencial invejável, eu dizia: Pô!!! Se eu for como ele domino o mundo e ponto. Talvez sermos diferemos nos leva a sermos exatamente iguais em alguns pontos, sinceros e não "presumirmos" do que temos. Eu talvez caminhe por toda uma América sendento de aventuras e novidades. Talvez durma em algum bosque gélido de Sibéria, talvez me perda pela China e alcance o tão desejado carma cristão que me foge nos dias coléricos da monotomia. Talvez JOU a sabedoria compartilhe seus dons nos Kms de estradas onde erra o andarilho, o viajante, o anônimo. Não comprei minhas amizades com dinheiro, comprei com meu caráter discabido que cabe em vidas constantes como a sua. Velho!!! Eu amo tanto o mundo em que vivo que não aceito estar parado vendo que ele aconteça sem mim. Velho!!! Não que eu anarquise minha vida, mas as leis do Estado me oprimem, só sou ilegal quando quero ser ilegal, no demais somente um mero cidadão do mundo, irregular segundo os critérios in loco.
Vamos JOU, superar fronteiras de países é fácil. Dificil é dizer não ao mal que nos apavora a vida.
E você camará, o fez com maestria e genialidade. Eu cá com meus ideais em fermentação. Quem sabe eu desperte em alguns a minha ânsia de viver pelo que realmente merece ser vivido.
JOU sempre adiante velho. Nossa despedida não foi uma perda. A distância ensina muito entre o espaço que ela deixa.
Abraços
MARLON DE ALMEIDA.

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